quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Poema universal do medo nº1

Poema universal do medo nº1

Daí você me assusta muito
Daqui eu não pareço muito assustado
porque você não me vê bem

Da escuridão eu me aproximo
E nos seus brilhantes olhos negros
continuo completamente perdido

Daqui eu te assusto muito
Daí você não parece muito assustada
porque eu não te vejo bem

Pretendo nunca te ver muito bem
Pretendo nunca entender nada
Prefiro sentir, sentir sempre medo do prazer

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Guia pessoal para as férias

Jim Carrey, Penélope Cruz, Devendra Banhart, Raul Seixas, Anton Chigurh, Willy Wonka, Alfred Hitchcock, Dario Conca, John Lennon, Da Vinci, Flores, Copo de Leite, Copo de Leite, Primavera, Xerifão from Texas, 23, Os Pássaros, Psicose, Dead Man, Zabriskie Point, Grandes Esperanças (1946), Circos Circenses, Drummond, Ferreira Gullar, Poesia Concretista, Vanguarda, Pós Modernismo, Dadaísmo, "Seus cachos são deliberadamente prolixos. São tão enrolados.", Seus Olhos, Coração Enquadrado, Apoptose Company, Universal Feelings - Quadrinhos, Pizza de Chocolate, Som, Ukulele, Honolulu, "Hi, mate", Classificados - Copa, Dread Lock, Dread de Linha, Temos 500 tons de rosa, Bolsas Customizadas
Caio, tu apunhalaste o ovo
Chico, tu derramaste o leite

Pero que si, pero que no

galinha choca
plunct, plact, zuuuum! Não vai a lugar nenhum!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Adios-oh-oh ou Adeus aos olhos verdes do meu briefing


Queria dizer que traio a mim mesmo quando me deparo com tal envolvimento, no entanto, não a você, minha amada. Com certeza se ela tivesse os seus olhos dourados de mel que num feixe de sol me retornam verdes como a esmeralda do oceano que eu te amo; se ela levasse nos dedos finos e delicados o anel majestoso que levas nos teus, minha princesa, e com eles arranhasses suavemente meu rosto com tuas unhas cor-de-areia; se ela tremesse os frágeis dedinhos ao se aproximar de meus lábios; se ela escrevesses com uma pena em itálico como uma rainha declarando todo o seu amor a um plebeu; ah, mas se ela tivesse seu rosto esculpido de barro pêssego e maracujá; com certeza, então, ela não teria seus cabelos de por-do-sol no mar; se ela tivesse seus lábios frescos de maça e morango da estação para devorá-los; ah, se ela tivesse o olhar de quem não precisa sorrir para dizer sim ou dizer que me ama; ela com certeza não teria os olhos de quem me atravessa o coração como tu somente; e por deus se ela tivesse teu sorriso que me leva a outras dimensões onde deito contigo sob um luar e um cobertor de palha e nos teus peitos encosto minha cabeça enquanto sussurras qualquer canção de amor; ah, se tivesse a tua voz e se dissesse como me diz para ser forte e que está ao meu lado, se ela viesse também me encontrar nos meus sonhos nos quais posso te beijar sobre as nuvens não menos reais do que quando me acordas com teus beijos suaves; se ela ainda trouxesse o copo de leite que todo dia de manhã trazes pendurado no teus cabelos exalando a eterna primavera; ah, mas se a tivesse conhecido cadeira ao lado meu se distraindo com restos de uma borracha como uma criança - sempre soube que não querias apagar mais nada dali em diante; eu não sorriria, não sorriria para demonstrar o quanto estou feliz, uma vez que não há sorriso capaz, não há cinese, não há como reproduzir gestualmente a catarse que sinto quando tenho você ao meu lado. És um arco-íris que explode quando encontro nos teus pés o tesouro que logo me leva às alturas. Isso que escrevi não pode representá-la. Não ao meu coração que agora sabe que amor e felicidade nunca foram sentimentos tão simplórios, fortes quando suficientes somente para uma criança se apaixonar e, sendo assim, me preparava para conhecê-la. Agora posso lhe dizer que não há sol, não estrelas, não há galáxias nem dimensões maiores do que aquela onde estou sob o luar deitado ao teu lado com minha cabeça sobre teus seios enquanto cantas e o mar bate nos nossos pés e eu, completamente extasiado num estado básico de infinito amor, continuo, inutilmente, procurando palavras.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Larauê

O processo de escrita funciona da seguinte forma: você precisa se alimentar de diversas coisas diferentes para depois vomitar tudo de uma vez. E, posteriormente, é o leitor quem se delicia e digere o produto final.
Também
descobri que eu nunca entendi muito bem a definição exata das palavras "regular" e "razoável".



As Aventuras de little dê, vulgo Dizinho-querido - Parte 1

Isso tudo foi influênciado pela frase "All work and no play makes Jack a dull boy" - The Shining; pela música "All Apologies" - Nirvana; pelos contos de Caio Fernando Abreu; meus dias em "Honolulu" e Laura.





On the sea, in the Sun, little Dê feels as one

Dizinho muito feliz sob um sol não menor que o céu infinito tão azul quanto os olhos que piscavam pra mim e que eu gostava de lamber assim como seus lábios que tinham um gosto de maresia e que apesar de doces seus beijos tinham um gosto apaixonadamente salgado como das águas que eu gosto de nadar e que gosto de me tornar parte quando eu submerso nado sob a linha do horizonte do oceano e de repente num pulo volto balançando meus velhos cachos negros molhados e pesados sob o pôr-do-sol que agora deixa de ser laranja e adquire um tom rosado tão quanto a lua alva de areia que vem entre as nuvens douradas e também feitas de areia que tem formas bonitas como aquele castelo de areia que nós construímos naquele dia em que enfim percebi que seus olhos eram tão azuis quanto o reflexo verde das ondas espumadas que batem de leve nos meus joelhos como quem me convida pruma ilha deserta e me sopra um vento gostoso nas costas como uma sereia do mar que canta qualquer coisa para eu não mais acordar e diz para eu manter meus olhos abertos e se quiser cantar e nadar o quanto eu quiser para onde eu quiser e não esquecer de periodicamente gritar bem alto de vez em quando para soltar algumas coisas de dentro de mim que tem um nome engraçado e que eu não sei bem como explicar e também para eu não me esquecer desses momentos para lembrar de voltar quando/se voltar a escurecer. É bem aí em que eu me sinto como um magrelo cabeludo jovem cheio de pulseiras brincos e colares enfim como um poderoso Tritão dono dos sete mares distante de ti e distante de mim mesmo perto somente de um desses universos paralelos em que eu gosto muito de me perder e de me sentir um poderoso ou “ser”onipresente muito feliz muito além disso que nos faz esticar os lábios e emitir sons descoordenados que traduzem saúde e felicidade nesse infeliz universo em comum que fecha as portas e nos proíbe de deixá-lo diferente dos demais que de vez em quando deixam uma porta entreaberta como um convite (in)direto e é pra lá que vou e te chamo também.

sábado, 3 de outubro de 2009

Amáveis transportes amáveis

A péssima redação do texto, além de incompetência (minha), é a falta de vontade de revisá-lo. Pois se o fizer, provavelmente desisti-lo-ei.
E que isso sirva sempre de desculpa para os textos passados e os futuros também.

A van é carinhosa, solícita e animada. É como um amor perfeito que te atende sempre que precisas. E quando já estás envolvido com ela, nem precisas dizer quais são os comandos, por onde passar ou onde acelerar. Ela já sabe de tudo. Simplesmente ela te ama mais que pensas. Tu podes estar perdido no lugar errado, mal vestido no escuro, nada é motivo para não te aceitar. Ela sempre te receberá bem. Às vezes você até se assusta devido às suas atitudes imprevisíveis, mas que graça teria sem se emocionar um pouco? E lembre-se de que o amor é cego e que o sofrer nesse tocante é imprescindível.
E eu não sei a que ícone amoroso se assemelha o trocador que, corajosamente e apaixonadamente, convida a todos em voz alta insistentemente para o seu enorme coração. Ele é alegre; ele pula; ele canta; ele dança e de vez em quando ele chega até a pisar sem querer no seu pé. (Bem, isso no meu tempo já era motivo para grandes coisas). Ele conversa contigo. Ele conta piadas. Às vezes ele sai um pouquinho pra se esticar e balançar as pernas, mas ele sempre volta. Ele é um dos responsáveis pelo calor que afeta a todos na van. E quando você pede para sair do namoro, além da troca de agradecimentos de ambas as partes pelo tempo passado em companhia, ele não reclama, não chora e também não te diz "vá com Deus, meu filho". Ele aceita a perda de modo contente pois sabe que fez o melhor para que tudo ficasse bem e sabe que sentirás saudades e pedirá para voltar outro dia. E quando isso acontece ele não faz joguinhos sentimentais nem chantagens em relação a sua volta, ele simplesmente te convida do modo mais convincente e cativante possível como quem diz: "Venha cá! Esse é o seu lugar."

Já o ônibus é frio e seco como um veículo mal-amado forrado por folhas de outono congeladas. Ostenta visualmente um ar cansado, impaciente e, até mesmo, irritado. É como um ser belíssimo e desejado por muitos que, ao mesmo tempo, faz de tudo para evitá-los o máximo possível. Parece sofrer traumas e medos de receber alguém que sequestre, assalte ou atire em seus demais amores. Parece ter medo de se apaixonar tanto ao ponto de se incendiar. Devido a esses fatos, o ônibus não te recebe bem. Apesar de necessitar de alguém para viver, mostrar novos caminhos, paisagens e novos lugares, ele faz de tudo para demonstrar que você não é necessário para sua reputação. E a questão me parece, em muitas vezes, particular. Você às vezes o chama desesperadamente. Praticamente diz: “Amor está tarde. Me leva pra casa agora?” E com seu caráter rude e boçal ele te obriga a correr e pular na porta do ônibus que, nem ao menos, pára para te receber. Pobres são os idosos que sofrem pela falta de romances. Entrando no ônibus, ninguém te recebe bem. E a trocadora que poderia estar piscando ou cantarolando qualquer coisa para você, está dormindo na sua frente. Os amantes que habitam o interior do coração do ônibus são tão frios e antipáticos quanto ele mesmo. Todos muito ocupados e egoístas com seus fones de ouvido e celulares. E não há jeito, isto também te contamina. Estranhamente, é justamente quando seu coração já parece estar lotado que ele resolve buscar mais amantes. Talvez esse seja um jeito de, literalmente, te massacrar e demonstrar que você não é nada além de um dentre vários outros que sofrem igualmente. Seus membros começam a sair pela janela e sempre há uma tremenda gorda filha-da-puta te apertando e não te deixando passar. Fim de namoro anunciado, tu precisas tocar um sinal como modo de avisar que desejas ir embora. O contato ou comunicação oral é inútil. Ninguém se olha, ninguém se fala, ninguém se sente. A despedida é péssima. Ele ainda corre e quer mais é que tu pules como num filme de ação e role asfalto abaixo. Na saída não há tchauzinhos, nem acenos, nem agradecimentos nem nada. Há simplesmente uma porta onde diz: “saída” - como se já fosse previsível que ninguém aguentaria por muito tempo o relacionamento. E também não há jeito. Ele sabe que, infelizmente, é hegemonia nas rodovias e que apesar de seu humor, nada irá fazer com que você desista dele.

Mas eu lhe digo uma coisa: o metrô... Ah, o metrô há de acabar contigo porque ele, apesar de um espírito que habita nossas profundezas, é forte; veloz e educado – um homem realmente. E, além de tudo, penetra por onde nem acreditas.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Buraco que vira e vai fundo bem alto

So, 1, 2, 3 and here we go!

23/09, 24/09

Acordei. Onde estou, hein? Que horas são? Lua no céu escuro. Que bom. Hora de comer alguma coisa. Ouvir música. Detran. Psicotécnico. Nossa, dificííílimo...! Trabalho a apresentar. Faculdade. Cidadão Kane. Festênha. Cervejas. Papo voando no telhado. Chuva que molha. Chuva que venta. Chuva que fura nossos olhos com guarda-chuvas quebrados. Sanduíche gostoso. Forrar o estômago, né? Gostou do meu brinco, querida? Bem, fazer um alto trabalho alto agora. Esta porra vai dar merda. Ônibus. Tava muito apertado. Saltei na alvorada. Pasme, meu direito de urinar custa 60 centavos. Desfrutei muito bem. Home sweet home alabama. "Chegou bem em casa?" Falei merda. Comi um mig back. Me passa esse back aí. Sempre Caio Fernando Abreu. Muitos livros. Palíndromos, anagramas. Cor e som. Barriga, cadê você, amigo? Seleção no Peru. 2x2. Dá-lhe Conca! Ok, nevermind. Estamparia dia 05/10. Q-Vizu espera um pouquinho. Vamos filmar. Mendigo cínico a ser estrelado. É filosofia. Uma Heinneken! E agora? Lapa, Copa ou pelada com os funcionários? Que bom que você gostou do show, bananica! Virão outros. Tenho um uniforme oficial autografado cheio de beijokas e assinaturas. Topa essa! You are paranoicamente addicted. Baby, don't worry. Praça Seca amanhã. Eu não sou apto. Sou incapaz de servir a nação, eu sei. Teatro contigo, seu boiola. Muitas coisas. Seminário - Piauí lá onde eu estudo dia 05/10. Não consigo me segurar diante de tanta alegria. Morangos Mofados realmente mofados. Uhuuuul! Chocolate meio-amargo roubado. Era belga. Isso por 3 maços de cigarro? Devendra Banhart, Rufus Wainwright, The Raconteurs, The Eels, Legião Urbana... Você vai estar no ponto de ônibus amanhã? Ah, Cachorro Grande, hein? Barbinha escrota. "Beeem bonitinha, olha gente." Você está me fodendo. Vocês. Corte Real completa. Giz. Giz. Você estava lá no stand up japa fast food. Who cares? Vocês são muito bonitos, meus queridos. Chuchu beleza, tomate maravilha. É a última moda.
Bem, é tudo isso e muito mais

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Remoções

Ah, a inauguração. Eis, então, um breve texto que conta uma história trágica enfatizando a raiva e a repugnância, além de tudo, pela letra R em sua aliteração. Vistam-se de marrom para a leitura.
Hasta!


Remoções

Rugidos românticos. Rapaz, rapariga roçando-se, rolando relva reclinadamente rente Roraima. Ralei-me razoavelmente. (Rota de rastro de resto de romã).
Regávamos rosas. Recentemente removeste raízes. Rimas ricas recônditas recitadas. Ralhadas rimas refinadas.
Rei, rainha reinando romances rivais, rancorosos. Reinado’rruinado.
Rasguei ruídos roucos, rebeldes. Rangi refrões. Rock N’ Roll reprimido.
Remoendo raiva restante, rasgaram-se radiantes raios, relâmpagos riscando retinas rubras.
Regime repressor. Respiração, risadas receosas. Reduziste-me, restringi-me. Rogal. Roguei, rezei religiosamente. Ressuscitarei?
Romantismo reverteu realismo. Retive-me...
Relapsos recordados repentinamente. Ranhos, razões, reclamações, respostas ríspidas.
Rumino refil rubro. Rios ruivos remados repetidamente. Raros resgates.
Recebi remédios. Receitaram-me revólveres. Resisti, recusei.
Rosto retratado revela rugas rabugentas. Regresso representado. Rosto rupestre.
Rude rapariga redonda raptou, roeu, roubou Romeu coração.