O processo de escrita funciona da seguinte forma: você precisa se alimentar de diversas coisas diferentes para depois vomitar tudo de uma vez. E, posteriormente, é o leitor quem se delicia e digere o produto final.
Também
descobri que eu nunca entendi muito bem a definição exata das palavras "regular" e "razoável".
As Aventuras de little dê, vulgo Dizinho-querido - Parte 1
Isso tudo foi influênciado pela frase "All work and no play makes Jack a dull boy" - The Shining; pela música "All Apologies" - Nirvana; pelos contos de Caio Fernando Abreu; meus dias em "Honolulu" e Laura.
On the sea, in the Sun, little Dê feels as one
Dizinho muito feliz sob um sol não menor que o céu infinito tão azul quanto os olhos que piscavam pra mim e que eu gostava de lamber assim como seus lábios que tinham um gosto de maresia e que apesar de doces seus beijos tinham um gosto apaixonadamente salgado como das águas que eu gosto de nadar e que gosto de me tornar parte quando eu submerso nado sob a linha do horizonte do oceano e de repente num pulo volto balançando meus velhos cachos negros molhados e pesados sob o pôr-do-sol que agora deixa de ser laranja e adquire um tom rosado tão quanto a lua alva de areia que vem entre as nuvens douradas e também feitas de areia que tem formas bonitas como aquele castelo de areia que nós construímos naquele dia em que enfim percebi que seus olhos eram tão azuis quanto o reflexo verde das ondas espumadas que batem de leve nos meus joelhos como quem me convida pruma ilha deserta e me sopra um vento gostoso nas costas como uma sereia do mar que canta qualquer coisa para eu não mais acordar e diz para eu manter meus olhos abertos e se quiser cantar e nadar o quanto eu quiser para onde eu quiser e não esquecer de periodicamente gritar bem alto de vez em quando para soltar algumas coisas de dentro de mim que tem um nome engraçado e que eu não sei bem como explicar e também para eu não me esquecer desses momentos para lembrar de voltar quando/se voltar a escurecer. É bem aí em que eu me sinto como um magrelo cabeludo jovem cheio de pulseiras brincos e colares enfim como um poderoso Tritão dono dos sete mares distante de ti e distante de mim mesmo perto somente de um desses universos paralelos em que eu gosto muito de me perder e de me sentir um poderoso ou “ser”onipresente muito feliz muito além disso que nos faz esticar os lábios e emitir sons descoordenados que traduzem saúde e felicidade nesse infeliz universo em comum que fecha as portas e nos proíbe de deixá-lo diferente dos demais que de vez em quando deixam uma porta entreaberta como um convite (in)direto e é pra lá que vou e te chamo também.
Apoptose Circular trata-se de uma morte celular programada, contraditoriamente, sem planejamento prévio e acessível a todos que desejam cometer um suicídio ou enjuvelhecer um pouco a qualquer hora do dia. Prosas, poesias, temas subjetivos, profundos ou corriqueiros darão uma nova tonalidade a sua paleta.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
sábado, 3 de outubro de 2009
Amáveis transportes amáveis
A péssima redação do texto, além de incompetência (minha), é a falta de vontade de revisá-lo. Pois se o fizer, provavelmente desisti-lo-ei.
E que isso sirva sempre de desculpa para os textos passados e os futuros também.
A van é carinhosa, solícita e animada. É como um amor perfeito que te atende sempre que precisas. E quando já estás envolvido com ela, nem precisas dizer quais são os comandos, por onde passar ou onde acelerar. Ela já sabe de tudo. Simplesmente ela te ama mais que pensas. Tu podes estar perdido no lugar errado, mal vestido no escuro, nada é motivo para não te aceitar. Ela sempre te receberá bem. Às vezes você até se assusta devido às suas atitudes imprevisíveis, mas que graça teria sem se emocionar um pouco? E lembre-se de que o amor é cego e que o sofrer nesse tocante é imprescindível.
E eu não sei a que ícone amoroso se assemelha o trocador que, corajosamente e apaixonadamente, convida a todos em voz alta insistentemente para o seu enorme coração. Ele é alegre; ele pula; ele canta; ele dança e de vez em quando ele chega até a pisar sem querer no seu pé. (Bem, isso no meu tempo já era motivo para grandes coisas). Ele conversa contigo. Ele conta piadas. Às vezes ele sai um pouquinho pra se esticar e balançar as pernas, mas ele sempre volta. Ele é um dos responsáveis pelo calor que afeta a todos na van. E quando você pede para sair do namoro, além da troca de agradecimentos de ambas as partes pelo tempo passado em companhia, ele não reclama, não chora e também não te diz "vá com Deus, meu filho". Ele aceita a perda de modo contente pois sabe que fez o melhor para que tudo ficasse bem e sabe que sentirás saudades e pedirá para voltar outro dia. E quando isso acontece ele não faz joguinhos sentimentais nem chantagens em relação a sua volta, ele simplesmente te convida do modo mais convincente e cativante possível como quem diz: "Venha cá! Esse é o seu lugar."
Já o ônibus é frio e seco como um veículo mal-amado forrado por folhas de outono congeladas. Ostenta visualmente um ar cansado, impaciente e, até mesmo, irritado. É como um ser belíssimo e desejado por muitos que, ao mesmo tempo, faz de tudo para evitá-los o máximo possível. Parece sofrer traumas e medos de receber alguém que sequestre, assalte ou atire em seus demais amores. Parece ter medo de se apaixonar tanto ao ponto de se incendiar. Devido a esses fatos, o ônibus não te recebe bem. Apesar de necessitar de alguém para viver, mostrar novos caminhos, paisagens e novos lugares, ele faz de tudo para demonstrar que você não é necessário para sua reputação. E a questão me parece, em muitas vezes, particular. Você às vezes o chama desesperadamente. Praticamente diz: “Amor está tarde. Me leva pra casa agora?” E com seu caráter rude e boçal ele te obriga a correr e pular na porta do ônibus que, nem ao menos, pára para te receber. Pobres são os idosos que sofrem pela falta de romances. Entrando no ônibus, ninguém te recebe bem. E a trocadora que poderia estar piscando ou cantarolando qualquer coisa para você, está dormindo na sua frente. Os amantes que habitam o interior do coração do ônibus são tão frios e antipáticos quanto ele mesmo. Todos muito ocupados e egoístas com seus fones de ouvido e celulares. E não há jeito, isto também te contamina. Estranhamente, é justamente quando seu coração já parece estar lotado que ele resolve buscar mais amantes. Talvez esse seja um jeito de, literalmente, te massacrar e demonstrar que você não é nada além de um dentre vários outros que sofrem igualmente. Seus membros começam a sair pela janela e sempre há uma tremenda gorda filha-da-puta te apertando e não te deixando passar. Fim de namoro anunciado, tu precisas tocar um sinal como modo de avisar que desejas ir embora. O contato ou comunicação oral é inútil. Ninguém se olha, ninguém se fala, ninguém se sente. A despedida é péssima. Ele ainda corre e quer mais é que tu pules como num filme de ação e role asfalto abaixo. Na saída não há tchauzinhos, nem acenos, nem agradecimentos nem nada. Há simplesmente uma porta onde diz: “saída” - como se já fosse previsível que ninguém aguentaria por muito tempo o relacionamento. E também não há jeito. Ele sabe que, infelizmente, é hegemonia nas rodovias e que apesar de seu humor, nada irá fazer com que você desista dele.
Mas eu lhe digo uma coisa: o metrô... Ah, o metrô há de acabar contigo porque ele, apesar de um espírito que habita nossas profundezas, é forte; veloz e educado – um homem realmente. E, além de tudo, penetra por onde nem acreditas.
E que isso sirva sempre de desculpa para os textos passados e os futuros também.
A van é carinhosa, solícita e animada. É como um amor perfeito que te atende sempre que precisas. E quando já estás envolvido com ela, nem precisas dizer quais são os comandos, por onde passar ou onde acelerar. Ela já sabe de tudo. Simplesmente ela te ama mais que pensas. Tu podes estar perdido no lugar errado, mal vestido no escuro, nada é motivo para não te aceitar. Ela sempre te receberá bem. Às vezes você até se assusta devido às suas atitudes imprevisíveis, mas que graça teria sem se emocionar um pouco? E lembre-se de que o amor é cego e que o sofrer nesse tocante é imprescindível.
E eu não sei a que ícone amoroso se assemelha o trocador que, corajosamente e apaixonadamente, convida a todos em voz alta insistentemente para o seu enorme coração. Ele é alegre; ele pula; ele canta; ele dança e de vez em quando ele chega até a pisar sem querer no seu pé. (Bem, isso no meu tempo já era motivo para grandes coisas). Ele conversa contigo. Ele conta piadas. Às vezes ele sai um pouquinho pra se esticar e balançar as pernas, mas ele sempre volta. Ele é um dos responsáveis pelo calor que afeta a todos na van. E quando você pede para sair do namoro, além da troca de agradecimentos de ambas as partes pelo tempo passado em companhia, ele não reclama, não chora e também não te diz "vá com Deus, meu filho". Ele aceita a perda de modo contente pois sabe que fez o melhor para que tudo ficasse bem e sabe que sentirás saudades e pedirá para voltar outro dia. E quando isso acontece ele não faz joguinhos sentimentais nem chantagens em relação a sua volta, ele simplesmente te convida do modo mais convincente e cativante possível como quem diz: "Venha cá! Esse é o seu lugar."
Já o ônibus é frio e seco como um veículo mal-amado forrado por folhas de outono congeladas. Ostenta visualmente um ar cansado, impaciente e, até mesmo, irritado. É como um ser belíssimo e desejado por muitos que, ao mesmo tempo, faz de tudo para evitá-los o máximo possível. Parece sofrer traumas e medos de receber alguém que sequestre, assalte ou atire em seus demais amores. Parece ter medo de se apaixonar tanto ao ponto de se incendiar. Devido a esses fatos, o ônibus não te recebe bem. Apesar de necessitar de alguém para viver, mostrar novos caminhos, paisagens e novos lugares, ele faz de tudo para demonstrar que você não é necessário para sua reputação. E a questão me parece, em muitas vezes, particular. Você às vezes o chama desesperadamente. Praticamente diz: “Amor está tarde. Me leva pra casa agora?” E com seu caráter rude e boçal ele te obriga a correr e pular na porta do ônibus que, nem ao menos, pára para te receber. Pobres são os idosos que sofrem pela falta de romances. Entrando no ônibus, ninguém te recebe bem. E a trocadora que poderia estar piscando ou cantarolando qualquer coisa para você, está dormindo na sua frente. Os amantes que habitam o interior do coração do ônibus são tão frios e antipáticos quanto ele mesmo. Todos muito ocupados e egoístas com seus fones de ouvido e celulares. E não há jeito, isto também te contamina. Estranhamente, é justamente quando seu coração já parece estar lotado que ele resolve buscar mais amantes. Talvez esse seja um jeito de, literalmente, te massacrar e demonstrar que você não é nada além de um dentre vários outros que sofrem igualmente. Seus membros começam a sair pela janela e sempre há uma tremenda gorda filha-da-puta te apertando e não te deixando passar. Fim de namoro anunciado, tu precisas tocar um sinal como modo de avisar que desejas ir embora. O contato ou comunicação oral é inútil. Ninguém se olha, ninguém se fala, ninguém se sente. A despedida é péssima. Ele ainda corre e quer mais é que tu pules como num filme de ação e role asfalto abaixo. Na saída não há tchauzinhos, nem acenos, nem agradecimentos nem nada. Há simplesmente uma porta onde diz: “saída” - como se já fosse previsível que ninguém aguentaria por muito tempo o relacionamento. E também não há jeito. Ele sabe que, infelizmente, é hegemonia nas rodovias e que apesar de seu humor, nada irá fazer com que você desista dele.
Mas eu lhe digo uma coisa: o metrô... Ah, o metrô há de acabar contigo porque ele, apesar de um espírito que habita nossas profundezas, é forte; veloz e educado – um homem realmente. E, além de tudo, penetra por onde nem acreditas.
Assinar:
Postagens (Atom)